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quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Consignado do Auxílio Brasil já está liberado


Portaria do Ministério da Cidadania regulamenta acesso ao crédito, que terá limite de juros de 3,5% ao mês. Além de garantir acesso ao crédito, o Ministério da Cidadania ofertará ações de educação financeira.

O Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira (27/9) publica a Portaria nº 816, do Ministério da Cidadania, que regulamenta o empréstimo consignado para beneficiários do Programa Auxílio Brasil. A portaria estabelece o limite de juros de 3,5% ao mês.

Esse teto pode ser ainda menor, dependendo da negociação da instituição financeira com o tomador do empréstimo. A Lei 14.431, publicada em 3 de agosto, limitou o valor do consignado em até 40% do repasse permanente de R$ 400 do Auxílio Brasil. Dessa forma, o beneficiário poderá descontar até R$ 160 mensais, num prazo máximo de 24 meses.



O objetivo do empréstimo consignado, segundo o governo, é permitir que famílias do Auxílio Brasil, hoje sem acesso a crédito muitas delas endividadas e pagando juros altos, possam reorganizar-se financeiramente, empreender e buscar autonomia.

Além de garantir acesso ao crédito, o Ministério da Cidadania ofertará ações de educação financeira. Ao contratar o produto, os beneficiários terão de responder a um questionário que medirá os conhecimentos sobre o tema e a capacidade de administrar o empréstimo.

Pesquisa realizada por instituições financeiras que operam no mercado de consignados mostrou que 70% das famílias em situação de vulnerabilidade não têm acesso a crédito com juros baixos. Quando perguntadas sobre como usariam os recursos, a maior parte das pessoas responde que pretende investir em um negócio próprio, buscando autonomia para melhorar a qualidade de vida.


quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Pix internacional permitirá transferências entre mais de 60 países

O "Pix internacional" está mais próximo do que se imaginava. Segundo o jornal O Globo, as transferências instantâneas de dinheiro entre países com moedas diferentes já estão em fase de testes.

Chamada Nexus, a iniciativa permitirá fazer transações bancárias em menos de um minuto para qualquer país que já tenha o sistema instantâneo de pagamento implantado pelo Banco Central - como o Pix, no caso do Brasil. A colaboração deverá incluir mais de 60 países.

Atualmente, estão sendo feitos testes entre os sistemas financeiros da Malásia, de Cingapura e da Zona do Euro, pelo Banco da Itália. Por enquanto, o Banco Central brasileiro está como "observador" do projeto.

Como o Nexus funcionará
O projeto Nexus está em desenvolvimento pelo Bank Of International Settlements (BIS), organização internacional responsável pela supervisão e cooperação entre os bancos centrais.

O sistema deve se basear em dois pontos: a criação de um software que conectará os sistemas de pagamentos instantâneos de todo o mundo em um só lugar, possibilitando a troca de informações; e o chamado "Nexus Scheme", que deve estabelecer regras básicas para a comunicação entre os países.

“Conectar sistemas de pagamentos instantâneos bilateralmente faz sentido quando dois países têm relações próximas e um fluxo significativo de pagamentos. No entanto, uma abordagem mais escalável é necessária para criar uma verdadeira rede global de pagamentos transfronteiriços”, apontou a organização em relatório. Ainda não se sabe quando e se o sistema será lançado oficialmente.


domingo, 17 de setembro de 2023

Europa caminha para a recessão à medida que crise do custo de vida se aprofunda

Banco Central Europeu (BCE) está sob pressão, com a inflação em mais de quatro vezes sua meta de 2%, tendo atingido um recorde de 9,1% no mês passado.

A zona do euro está quase certamente entrando em recessão, com pesquisas nesta segunda-feira (5) mostrando um aprofundamento da crise do custo de vida e uma perspectiva sombria que mantém os consumidores cautelosos com os gastos.

Embora tenha havido algum alívio nas pressões sobre os preços, de acordo com as sondagens, eles permaneceram altos.

Além disso, o Banco Central Europeu (BCE) está sob pressão, com a inflação em mais de quatro vezes sua meta de 2%, tendo atingido um recorde de 9,1% no mês passado.

O banco enfrenta a perspectiva de aumentar agressivamente as taxas de juros no momento em que a economia entra em recessão.

Uma elevação nos custos dos empréstimos aumentaria os problemas dos consumidores endividados, mas em uma pesquisa da Reuters na semana passada quase metade dos economistas entrevistados disse esperar um aumento sem precedentes de 75 pontos-base nos juros pelo BCE nesta semana, enquanto quase o mesmo tanto previa aumento de 50 pontos-base.

Apesar dessas expectativas, o euro caiu abaixo de 99 centavos de dólar pela primeira vez em 20 anos nesta segunda-feira, depois de a Rússia dizer que o fornecimento de gás em seu principal gasoduto para a Europa permanecerá fechado indefinidamente.

Os preços do gás no continente dispararam até 30% nesta segunda-feira, alimentando temores de escassez e reforçando as expectativas de uma recessão e um inverno duro, à medida que empresas e famílias são atingidas pelos preços altíssimos da energia.

O Índice de Gerentes de Compras (PMI) composto final da S&P Global, visto como um guia para a saúde econômica, caiu para o menor patamar em 18 meses de 48,9 em agosto, ante 49,9 em julho, abaixo de uma estimativa preliminar de 49,2. Leituras abaixo de 50 indicam contração.

“As pesquisas do PMI sinalizam que a área do euro está entrando em recessão mais cedo do que pensávamos, liderada por sua maior economia, a Alemanha, e agora vemos a zona do euro ‘desfrutando’ de uma recessão mais longa, de três trimestres”, disse Peter Schaffrik, do Royal Bank of Canada.

“A revisão deve-se principalmente à evolução dos preços da energia que, mesmo depois de terem recuado nos últimos dias, continuam elevados, o que significa que o impacto nos gastos das famílias será maior do que prevíamos até agora.”

Essa perspectiva de recessão abalou a confiança dos investidores na união monetária, que caiu em setembro para o menor nível desde maio de 2020, mostrou outra pesquisa.

A atividade de serviços na Alemanha, a maior economia da Europa, contraiu pelo segundo mês consecutivo em agosto, com a demanda doméstica sob pressão da inflação crescente e da confiança vacilante, mostraram números divulgados mais cedo.

A economia do país deve contrair por três trimestres consecutivos a partir deste, sugeriu uma pesquisa da Reuters na semana passada.

Na França, a segunda maior economia da zona do euro, o setor de serviços perdeu mais força e conseguiu apenas um crescimento modesto, com gerentes de compras dizendo que as perspectivas eram sombrias.

A economia do Reino Unido encerrou agosto em uma base muito mais fraca do que se pensava anteriormente, com a atividade empresarial como um todo sofrendo contração pela primeira vez desde fevereiro de 2021, em um sinal claro de recessão, mostrou seu PMI.

quinta-feira, 31 de agosto de 2023

Kit antena digital saiba quais famílias têm direito

Famílias de algumas capitais brasileiras já podem pedir o kit antena digital. Confira as regras e saiba como garantir o acesso para não sair no prejuízo.  O kit antena digital é um benefício voltado para as famílias que fazem parte do Cadastro Único (CadÚnico) do Governo Federal.

As mudanças são necessárias graças à interferência do sinal 5G, a nova geração da internet móvel que já é realidade em algumas capitais. Veja como saber se você tem direito ao kit antena digital.

A previsão do governo é de que todas as famílias troquem os modelos antigos pelo novo até 2026. Atualmente mais de 20 milhões de brasileiros acompanham o sinal aberto e gratuito via satélite na Banda C, mas ele irá migrar para o 5G. Dessa forma, algumas mudanças que não poderiam sair do bolso do cidadão precisaram ser feitas.

Kit antena digital
Os novos kits buscam garantir que as famílias tenham uma melhor qualidade de som e imagem. Sem a interferência provocada pelo sinal 5G. Além disso, é gratuito, logo não há qualquer cobrança. Até mesmo a instalação é garantida. A princípio somente os moradores das capitais com sinal 5G podem solicitar o benefício. Veja a relação abaixo:

    Brasília;
    Belo Horizonte;
    João Pessoa;
    Porto Alegre;
    São Paulo;
    Curitiba;
    Goiânia;
    Salvador;
    Aracaju;
    Boa Vista;
    Campo Grande;
    Cuiabá;
    Maceió;
    São Luís;
    Teresina.

Dessa forma, apontamos que a liberação dos kits será gradual. Ao trocar a parabólica e o conversor, as famílias passam a contar com a transmissão de TV digital, então terão acesso a um sinal de qualidade de imagem e som.

Esse benefício é garantido pelo Ministério das Comunicações. A mudança dos aparelhos começou em agosto deste ano. Para ter acesso ao kit, além de ter o CadÚnico, as pessoas devem já ser contempladas por algum programa social, como é o caso do Auxílio Brasil.

É exigido ainda que a família tenha pelo menos uma antena parabólica funcionando, ou seja, o aparelho não pode ter defeito. Para solicitar o novo recurso, é preciso realizar um agendamento no site Siga Antenado. Quando essa etapa for finalizada, não há mais o que fazer, exceto acompanhar a visita do técnico na residência.

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

BNDES contacta bancos para vender 11% da Energisa

O BNDES contactou bancos na sexta-feira para selecionar um assessor financeiro que o ajude a encontrar um comprador para sua participação na Energisa, uma transação de cerca de R$ 2 bilhões, pessoas a par do assunto disseram ao Brazil Journal. Nas últimas semanas, a especulação no mercado era de que o BNDES lançaria um follow-on ou um block trade para se desfazer da posição, mas agora ficou claro que o banco prefere um processo organizado junto a investidores financeiros ou estratégicos. A BNDESPar se tornou dona de 11,38% do capital da Energisa no mês passado, quando converteu uma debênture com bônus de subscrição.  O banco de fomento subscreveu a debênture em 2015 para apoiar a Energisa na aquisição do Grupo Rede – que trouxe um novo vetor de crescimento para a companhia dos Botelho. Os bônus foram convertidos a R$ 16,47, e o papel hoje negocia ao redor de R$ 43,50. Além de investidores financeiros, o comprador mais lógico para a posição seria a própria Energisa.  A companhia recentemente entrou na disputa pela Celg, a distribuidora de Goiás que a Enel colocou à venda – mas os italianos entraram em uma negociação exclusiva com a Equatorial Energia. A Energisa vale R$ 20,7 bi na Bolsa e negocia a cerca de 12x o lucro estimado para 2023.


quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Custo de vida cai em todas as faixas de renda, informa Ipea

Em agosto, a queda foi registrada pelo segundo mês seguido.

De acordo com o levantamento mais recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), houve queda no custo de vida para todas as faixas de renda no mês de agosto. O órgão publicou a pesquisa na terça-feira 13. Foi o segundo mês seguido com deflação generalizada, fato que não ocorria desde julho de 2010.

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda “registrou deflação para todas as faixas de renda, com variações entre -0,51% para o segmento de renda alta e -0,12% para a classe de renda muito baixa”, informou o instituto em nota. Assim, no acumulado entre janeiro e agosto, as taxas de inflação variaram de 4,11% (renda média alta) a 4,94% (renda muito baixa).

No mês anterior, o custo de vida caiu 0,34% para a classe com renda muito baixa e 0,42% para a população de renda muito alta. De acordo com os dados, o pico ocorreu para quem está na faixa de renda média: redução de 0,85%.

Em agosto de 2021, o cenário era de aumento no custo de vida em todas as faixas. O pior resultado daquele período ficou para renda muito baixa, com inflação de 0,91%.

Transporte lidera queda do custo de vida
Conforme os dados do levantamento, a queda de preços no setor de transporte puxou a melhora do custo de vida em agosto. A redução nesse segmento oscilou entre -0,42% (renda muito baixa) e -0,96% (renda muito alta). Em junho, o presidente Jair Bolsonaro (PL) sancionou a lei que limita o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o diesel, a gasolina, a energia elétrica, as comunicações e os transportes coletivos.


sábado, 12 de agosto de 2023

Consumidores poderão escolher a empresa de energia

Ministério de Minas e Energia (MME) publicou uma portaria em que passa a permitir que todos os consumidores de alta tensão no Brasil possam escolher de qual empresa querem comprar energia. Dessa forma, a medida começa a valer em janeiro de 2024 e irá alcançar cerca de 106 mil novas unidades consumidoras, principalmente de comércio e indústria.

Assim, esse novo grupo de consumidores terá a possibilidade de adquirir energia do mercado livre, no qual poderão fechar contrato direto com as geradoras. Atualmente, o mercado livre representa 38% do consumo energético do país, o que corresponde a pelo menos 30 mil unidades de consumo.

Preços competitivos
De acordo com o MME, essa abertura de mercado, que vem na sequência à consulta pública feita sobre essa mudança, vai contribuir para o aumento da concorrência no setor e gerar preços mais competitivos.

“A abertura do mercado traz maior liberdade de escolha para os consumidores, com a consequente ampliação da competitividade, ao permitir o acesso a outros fornecedores além da distribuidora. A abertura traz também autonomia ao consumidor, que pode gerenciar suas preferências, podendo optar por produtos que atendam melhor seu perfil de consumo, como os horários em que necessita consumir mais energia. Além disso, a concorrência tende a proporcionar preços mais interessantes, melhorando a eficiência do setor elétrico e da economia brasileira”, disse a pasta em nota.


Mais consumidores
Atualmente, têm acesso ao mercado livre os consumidores com demanda contratada acima de 1.000 kilowatts. Isso também é permitido àqueles com demanda mínima de 500 kilowatts, sendo que neste segundo caso isso só pode ser feito utilizando fontes renováveis, como eólica e solar.

Contudo, com a medida, passarão a poder comprar do mercado livre os mais de 100 mil consumidores que estão na faixa de consumo inferior a 500 kilowatts. Quase metade deles, ou 45,6%, estão no comércio; outros 34,5%, na indústria.

Expansão do mercado livre
De acordo com a Associação Brasileira de Comercializadores de Energia (Abraceel), com a abertura, o mercado livre poderá crescer para até 48% de todo o consumo de energia no país. Rodrigo Ferreira, presidente-executivo da entidade, destaca que esse segmento é atraente, pois oferece energia com preços entre 30% e 40% menores que o do mercado cativo, em que atuam as distribuidoras com tarifas pré-estabelecidas.


quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Caiu na malha fina e não recebeu a restituição do IR? Saiba o que fazer

Consulta ao quinto e último lote da restituição do Imposto de Renda da Pessoa Física começa nesta sexta-feira

O contribuinte que entregou a declaração do Imposto de Renda 2022 já pode consultar o quinto e último lote da restituição. Quem tem dinheiro a receber da Receita Federal e não teve o número incluído no lote possivelmente foi pego na malha fina. Segundo o Fisco, o pagamento de todas as restituições sem inconsistência previstas para este ano será concluído com esse grupo. Se você não está nele, algum problema foi encontrado.

Como consultar minha situação?
A Receita iniciou em setembro o envio de 444 mil cartas para contribuintes que caíram na malha fina. Eles serão instruídos a realizar a correção dos dados por meio de uma declaração retificadora, que pode ser encaminhada pelo Centro de Atendimento Virtual (e-CAC). Para descobrir se você está entre esses cidadãos, acesse o portal e-CAC, clique na aba “Meu Imposto de Renda (Extrato da DIRPF)”, toque em “Processamento” e escolha a opção “Pendências de malha”. Além de saber se caiu na malha fina, o contribuinte também consegue se informar sobre o motivo da inconsistência. Caso seja apenas um erro no preenchimento, é só encaminhar uma declaração retificadora.


E quem recebeu uma intimação fiscal?
Em algumas situações, a Receita pode enviar um termo de intimação fiscal solicitando a apresentação de documentos que comprovem as informações prestadas na declaração. Neste caso, o passo a passo é o seguinte:

    Acesse o sistema e-Defesa;
    Informe o CPF e o número do Termo de Intimação Fiscal;
    Preencha o Termo de Atendimento da Intimação;
    Acesse o sistema e-Processo (no e-CAC) e escolha a opção “Solicitar Serviço via Processo Digital”;
    Informe a área de concentração: “Malha Fiscal IRPF”;
    Clique em “Atender Termo de Intimação”;
    Informe o número do Termo de Intimação Fiscal;
    Solicite a juntada do Termo de Atendimento da Intimação e dos documentos solicitados no Termo de Intimação Fiscal (separe os arquivos por tipo).

E a restituição?
Depois que as pendências forem sanadas, o contribuinte que ainda tiver direito à restituição do IR receberá os valores em um lote residual de pagamento. A Receita Federal ainda não confirmou a data de pagamento para esse grupo.


quarta-feira, 21 de junho de 2023

Libra em queda Livre, desvalorizando ?

A libra esterlina já foi a moeda mais poderosa do mundo. Antes da dominância do dólar, ocupou por décadas o papel de reserva internacional de valor.  Era também, até pouco tempo atrás, uma das moedas mais valorizadas. A fortaleza das cédulas exibindo o rosto estampado da rainha Elizabeth refletia a confiabilidade ostentada por Londres como centro financeiro global.  Em 2007, no apogeu mais recente da libra, eram necessários US$ 2 para trocar por uma moeda de 1 libra. 


Depois de uma desvalorização acelerada nos últimos dias, a libra agora vale US$ 1,06 – com viés de baixa –, e o Bank of England (BoE) teve que fazer uma intervenção hoje pela manhã para estabilizar o mercado de títulos públicos: suspendeu o quantitative tightening e vai comprar títulos longos. No mercado de opções, os traders ampliaram as suas apostas de que a libra cairá abaixo de US$ 1 até o fim do ano. A corretora Nomura estima que a paridade ocorrerá em novembro, e que a moeda encerrará o ano cotada a US$ 0,975.  A origem do problema da libra está na leniência de sua Autoridade Monetária. Com a inflação no Reino Unido acima de 10%, a maior em quatro décadas, o BoE demorou a agir e ficou atrás da curva inflacionária. Mas o golpe de misericórdia contra a moeda foi o plano econômico da nova primeira-ministra, Liz Truss, que traz uma combinação explosiva de aumento de subsídios e redução de impostos. O plano deve criar um rombo nas contas públicas da ordem de 7% do PIB nos próximos dois anos. Foi o gatilho para o espetacular tombo da libra nos últimos dias.  Rogério Xavier, o fundador da SPX, estima que se não houver um ajuste fiscal e um aperto monetário mais rápido, a coisa ainda vai piorar.  “O Reino Unido tem déficits gêmeos: um mega déficit na conta corrente do balanço de pagamentos e o fiscal frouxo,” Xavier disse ao Brazil Journal. “Com o Bank of England dovish, não tem jeito: o ajuste é na moeda.”  A última vez em que a libra havia se aproximado da paridade com o dólar foi há quase quatro décadas, mais precisamente em 1985. Naquele período, a moeda americana também passava por uma fase de forte valorização. Era um reflexo do choque de juros de Paul Volcker em sua luta para “quebrar a espinha da inflação”.  Com a inflação no atacado ainda rodando em 20%, o BC britânico indicou que vai acelerar o aperto monetário, mas recuperar a credibilidade será uma missão complicada, e o pacote econômico de Truss deixará a tarefa ainda mais difícil.  Para superar o marasmo econômico, a primeira-ministra propôs o maior corte de impostos desde os anos 1970. Além disso, o governo vai gastar US$ 50 bilhões para subsidiar as tarifas de eletricidade. Truss quer ressuscitar o espírito de Margaret Thatcher. Em linha com a visão histórica do Partido Conservador, ela acredita na redução de impostos como alavanca para a atividade econômica.  Não se sabe se vai dar certo, mas no curto prazo, dizem os analistas, o alívio tributário aprofunda o buraco fiscal, enfraquece a libra e joga mais lenha na inflação. O efeito deve ser um PIB ainda mais fraco nos próximos trimestres. A reação negativa dos mercados derrubou a libra e elevou os juros dos títulos públicos para os maiores patamares em duas décadas. As taxas dos papéis de 30 anos atingiram 5%. Larry Summers, o ex-secretário do Tesouro dos EUA, vê com pessimismo o plano de Truss. “Mas não imaginei que os mercados ficariam tão ruins tão rapidamente,” Summers disse no Twitter.  “Uma tendência de juros longos em alta e moeda em baixa é característica de situações de perda de credibilidade,” disse Summers. “Acontece com mais frequência nos países em desenvolvimento”, mas, segundo o economista, já ocorreu no início do governo Mitterrand, na França, e no final do governo Carter, nos Estados Unidos, antes da chegada de Volcker ao Fed.  O plano de Truss mereceu uma reprimenda do Fundo Monetário Internacional. “Tendo em vista as pressões inflacionárias em muitos países, incluindo o Reino Unido, não recomendamos pacotes fiscais amplos e que não sejam focados, porque é importante que a política fiscal não trabalhe contra a política monetária,” diz a nota. O Fundo pede que o governo britânico reavalie as medidas, especialmente especialmente aquelas que vão beneficiar os mais ricos. “O teor das medidas do Reino Unido provavelmente vai elevar a desigualdade.” O presidente do BoE, Andrew Bailey, é visto pelo mercado como dovish em demasia. De acordo com gestores, ficou atrasado na alta de juros em relação ao Federal Reserve e tem sido menos agressivo do que o Banco Central Europeu, mesmo lidando com uma inflação bem mais elevada – que, se não fosse o limite de reajuste das tarifas, bateria nos 15%, um número raro até mesmo no Brasil pós-real. “Acompanho os bancos centrais de 20 países. O presidente do BC inglês é muito fraco, só perde para o da República Tcheca,” disse um gestor brasileiro com passagem pelo Banco Central. A tormenta nos mercados ingleses trouxe especulações sobre uma possível reunião emergencial do BoE. A próxima reunião oficial ocorrerá apenas em novembro.  Até o momento, Bailey e seus colegas parecem ter optado por engrossar o discurso com falas mais duras. O mercado reagiu jogando a curva de juros para cima, antecipando altas maiores do que o previsto anteriormente.  Entre as principais moedas do mundo, a libra foi a que mais se desvalorizou em relação ao dólar desde o começo do ano, com uma queda de 20%. Mas a alta dos juros nos Estados Unidos fortaleceu a moeda americana em quase todo o mundo, sobretudo na Europa ameaçada pela recessão. Ao menos para os turistas, é a oportunidade de visitar a historicamente cara Londres gastando menos do que em Nova York. 


domingo, 4 de junho de 2023

Inflação dos serviços perde força e tem o menor nível em nove meses

Desaceleração impulsionada pela queda no preço das passagens aéreas deve barrar nova alta da taxa básica de juros.

Preço das passagens aéreas caiu 12% em agosto

A deflação registrada no mês de agosto foi acompanhada por uma alta menor dos preços no setor de serviços, o mais importante da economia nacional. No mês, a inflação das atividades do segmento aumentou 0,28%, a menor taxa desde novembro de 2021.

Os dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) correspondem à segunda desaceleração seguida de preços dos serviços, após altas de 0,9% em junho e de 0,8% em julho. Em agosto do ano passado, a inflação do segmento foi de 0,39%.

Mesmo com as altas em ritmo menor, os preços do setor de serviços subiram 8,76% no acumulado dos últimos 12 meses, variação semelhante à do índice oficial de preços (+8,73%), que figura abaixo dos dois dígitos pela primeira vez em um ano.

Eric Barros, economista e assessor de investimentos da Blue3, explica que a retomada da economia tende a elevar o preço dos serviços, cenário que deve ser ainda observado nos próximos meses. "Apesar da queda em agosto, a tendência é que a inflação dos serviços se mantenha em alta por algum tempo", afirma ele.

Para Rodrigo Sodré, economista e sócio da BRA, os resultados também são reflexo da redução da alíquota do ICMS sobre a gasolina e a energia elétrica nos estados. "Essa queda refletiu nos meses anteriores e foi verificado com menor força no mês de agosto", destaca.

No mês passado, a perda de força da inflação dos serviços foi impulsionada pela queda de 12,07% no preço das passagens aéreas. Também recuaram os valores dos planos de telefonia móvel (-2,67%), das casas noturnas (-1,16%), do cinema, teatro e concertos (-1,07%) e dos transportes por aplicativo (-1,06%).

Na avaliação de Pedro Kislanov, gerente responsável pelo IPCA, a queda das passagens aéreas após quatro meses consecutivos de alta pode ser explicada pela sazonalidade do mês. "Essa é uma comparação com julho, que é um mês de férias e há aumento da demanda. Além disso, foram quatro meses seguidos de alta, o que eleva a base de comparação. Também há o impacto da redução do querosene de aviação", avalia.

 As variações de preços do setor também são determinantes para os próximos passos do BC (Banco Central) na condução da política monetária e podem determinar um período mais prolongado dos juros em níveis elevados. Em julho, a autoridade monetária avaliou que o processo de normalização de alguns setores de serviços em diversos países emergentes “deve contribuir para manter pressão sobre os índices de inflação”.

Sodré explica que o olhar se dá pela importância do setor de serviços no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. "É obvio que o Banco Central tem que ficar atento a esses preços, mas acho que eles vão se acomodar com o passar dos meses", diz o economista ao prever o início da trajetória de queda da taxa Selic no segundo semestre do ano que vem.

"Copom deu indícios de que os juros básicos não serão elevados na próxima reunião. No entanto, a inflação e taxa básica de juros tem relação direta, pois é exatamente ela que controla a inflação", pontua Barros.

Difusão
Ainda que os preços tenham subido em ritmo menor, a alta disseminada entre as atividades do setor ainda chama atenção. Em agosto, chamada difusão atingiu três de cada cinco (65,8%) atividades do setor. 

Entre os 38 serviços analisados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 25 ficaram mais caros, oito (21%) estão mais baratos e cinco (13,2%) apresentaram estabilidade no mês passado.

Entre as altas apuradas no mês aparecem as mudanças (+3,92%), o seguro voluntário de veículo (+2,27%) os serviços de costureira (+2,12%), a hospedagem (+1,52%), o aluguel (+1,42%) e pintura de veículo (+1,12%), os cursos diversos (+1,14%) e a alimentação fora de casa (+0,89%).

De acordo com Sodré, a inflação das refeições distantes do domicílio também é motivada pelo processo de retomada com a redução das medidas restritivas para conter o avanço da pandemia. "As pessoas estão saindo mais para almoçar e jantar, os shoppings estão mais cheios e isso reflete nos preços", afirma o economista.


sexta-feira, 14 de abril de 2023

Confira a nova previsão do salário mínimo de 2023

Na semana passada, o governo de Bolsonaro enviou a proposta de Orçamento para 2023 com uma previsão do salário mínimo em R$ 1.302, baseada na taxa de 7,41%. Se a nova previsão realmente se concretizar, podemos ver um salário mínimo menor no próximo. Com base no índice de 6,54%, o salário mínimo será de R$ 1.292.

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Dicas para economizar nos Brinquedos das crianças

No próximo dia 12 de outubro o Brasil comemora o Dia das Crianças, a data tem viés comercial já que propõe que as crianças sejam presenteadas. Na mesma data é decretado feriado nacional, mas por outro motivo, o de comemoração ao dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do país. Ao se levar pelo clima festivo, o consumidor fica mais atraído a gastar, mas é preciso muita cautela.

Pequeno ou grande, o presente de Dia das Crianças deve chegar para os pequenos no próximo dia 12. Os preços dependem não só do gosto da criança, e logo do que o adulto pretende comprar, mas também da loja que escolheu e do método de pagamento que vai usar. Por isso, o ideal é estar atento a pontos que podem facilitar a economia no momento de fazer as suas compras.

O Instituto de Pesquisa e Análise da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio) fez uma pesquisa mostrando que 53% dos consumidores mato-grossenses pretendem gastar nesta data comemorativa. E pelo visto o interesse é nacional, já que o Fecomércio do Rio Grande do Norte mostrou que 63,7% da população de Natal pretende gastar neste dia.

Embora não tenha poder de movimentar o mercado como o Dia das Mães ou o Natal, o comércio espera receber os consumidores nos próximos dias. Principalmente os pontos de venda de brinquedos, vestuário, calçado, itens esportivo, e locais de lazer e turismo.

Dicas para acertar no presente do Dia das Crianças
Acredite, ao acertar o presidente do Dia das Crianças você já estará economizando. Caso dê para sua criança um item de vestuário menor ou maior do que o ideal, ao fazer a troca você vai precisar gastar novamente com o combustível ou passagem do transporte, e pode até gastar um pouquinho mais ao fazer um lanche ou comprar outros produtos.

Por isso, dedique um único dia para comprar a lembrança para o pequeno, e fazer sua compra. Para escolher o que comprar esteja atento a situações como:

    Converse com a criança, mas sem dar esperanças, sobre o que ela gostaria de ganhar nesse dia. As vezes a ideia dela tem um valor menor do que você esperava;
    Dê você as possibilidades de presente para esse dia, dentro do seu orçamento, e como um agrado deixe que ela escolha o que prefere;
    Caso não seja o responsável pela criança, converse com seus pais ou familiares próximos sobre o que de verdade aquela criança está precisando e que pode servir como presente;
    Esteja atento ao número de roupa e calçado para não errar;
    Repare na indicação de idade, caso prefira um brinquedo, para não comprar algo que a criança não vá brincar nesse momento ou que ainda vai demorar para conseguir usar.


Economize no Dia das Crianças
Claro que presentar quem amamos é sempre muito bom, mas você não pode se iludir com esse cenário e sair prejudicado. Pense a longo prazo, em dois meses chegará a temporada de Natal e nesse momento mais um presente com certeza vai ser comprado, e dessa vez não vão ser só os pequenos que serão presenteados, por isso, muita cautela ao gastar.

Em uma pesquisa levantada pela Fundação Procon-SP (Programa de Proteção de Defesa do Consumidor), foi encontrada diferenças de até 192,23% no preço de um mesmo brinquedo em pesquisa realizada entre 8, 9 e 12 de setembro em sete sites. Por isso, o primeiro e principal ponto é o de que você deve fazer pesquisas.

Outras dicas que poderão te ajudar nessa empreitada são:
    Não se prenda aos brinquedos de personagens, eles são mais caros. Você pode encontrar um carrinho de controle remoto mais barato quando ele não é de um super-herói, por exemplo;
    Roupas são presente sim, e costumam ser mais úteis do que os brinquedos. Os bebês, por exemplo, que não entendem a data, podem ser presentados dessa forma;
    Lojas de rua podem ter valor menor do que as de shoppings, porque a concorrência é maior. Um shopping não tem mais que duas ou três lojas de brinquedos, enquanto o calçadão de comércio da sua cidade tem várias opções;
    Abra sua mente e use a sua criatividade. Para caprichar na lembrancinha uma sacola de doces, um livro, o álbum da copa ou as figurinhas, são opções de presente mais baratas;
    Não leve a criança no dia das compras, ou deixe-a passeando em outro ambiente, porque ela não entende a diferença de valores e pode optar pelo mais caro simplesmente por conta da embalagem mais bonita;
    Compras online podem ser uma excelente opção, embora seja cobrado o frete se colocar na ponta do lápis ele acaba saindo mais em conta do que o gasto de ir até a loja.


quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Zuckerberg deixa lista de 10 mais ricos do mundo após perder US$ 70 bilhões

O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, caiu 14 posições na lista das pessoas mais ricas do mundo, de acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg. Ele é agora a 20ª pessoa mais rica, com patrimônio líquido total de US$ 55,3 bilhões  queda de US$ 70,2 bilhões no acumulado do ano na segunda-feira devido a um declínio acentuado no preço das ações da Meta.

O CEO da Tesla, Elon Musk, o fundador da Amazon, Jeff Bezos, e o criador da Microsoft, Bill Gates, estão entre as cinco pessoas mais ricas do mundo. Musk, que lidera a lista, perdeu US$ 2,55 bilhões no ano passado, enquanto Bezos (terceiro) perdeu US$ 44,4 bilhões. Gates (quinto) perdeu US$ 26,2 bilhões.

Os preços das ações de tecnologia sofreram no ano passado devido à desaceleração econômica. A riqueza em papel de muitas big techs está ligada às enormes participações que eles ainda detêm nas empresas que fundaram.

A riqueza de Zuckerberg atingiu o pico de cerca de US$ 140 bilhões em setembro de 2021. Um mês depois, ele anunciou o rebranding do Facebook como Meta para destacar sua mudança de foco para o "metaverso", uma espécie de mundo digital em realidade aumentada e virtual. Foi nessa época que sua riqueza começou a declinar.


Em fevereiro, as ações da Meta caíram quase 23% depois que gastos inesperados em seu "metaverso" levaram a um declínio no lucro do quarto trimestre, além de uma perspectiva de receita abaixo do esperado, em meio à crescente rivalidade com o TikTok.

Em julho, a Meta relatou seu primeiro declínio trimestral na receita em relação ao ano anterior, depois de relatar seu primeiro declínio nos usuários diários do Facebook.

Em sua aparição de quase três horas no The Joe Rogan Experience em agosto, Zuckerberg disse que achava que o metaverso provavelmente seria "muito mais saudável" para as pessoas - reiterando sua crença de que é a próxima geração da internet.

"Meu objetivo para este próximo conjunto de plataformas, elas serão mais imersivas e espero que sejam mais úteis - mas não quero necessariamente que as pessoas passem mais tempo com computadores", disse ele a Rogan. "Só quero que o tempo que as pessoas passam com as telas seja melhor."

Confira a lista dos dez mais ricos, segundo ranking da Bloomberg

    Elon Musk (Tesla, EUA): US$ 262 bilhões
    Gautam Adani (Adani Group, Índia): US$ 144 bilhões
    Jeff Bezos (Amazon, EUA): US$ 142 bilhões
    Bernard Arnault (LVMH, França): US$ 137 bilhões
    Bill Gates (Microsoft, EUA): US$ 110 bilhões
    Warren Buffett (Berkshire Hathaway, EUA): US$ 94.6 bilhões
    Larry Page (Google, EUA): US$ 91.9 bilhões
    Mukesh Ambani (Reliance Industries Limited, Índia): US$ 88.8 bilhões
    Sergey Brin (Google, EUA): US$ 88 bilhões
    Larry Ellison (Oracle, EUA): US$ 87.1 bilhões

domingo, 4 de setembro de 2022

Brasil sem dinheiro físico? BC diz que transação 100% digital pode demorar, apesar do Pix

Brasil ainda enfrenta problemas na bancarização e na inclusão financeira da população

Faz tempo que o dinheiro em espécie e o talão de cheque estão perdendo espaço nos pagamentos realizados pelos brasileiros que, a cada dia que passa, vêm absorvendo outras modalidades digitais, como o Pix, sistema criado pelo Banco Central.

Apesar da absorção da tecnologia na hora de realizar uma transação financeira, o Brasil ainda está longe de ser considerado um território digital, sob a ótica dos meios de pagamentos. Esta é a avaliação de Ricardo Teixeira Leite Mourão, membro do Deban (Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos), do Banco Central.

“O caminho é muito longo para se chegar numa sociedade cashless [sem dinheiro]. Ainda estamos tentando reduzir o dinheiro físico e há muita evolução no Pix e na área de pagamentos como um todo para acontecer”, afirmou Mourão durante a edição 2022 da Febraban Tech 2022, em São Paulo.

O desafio de uma sociedade cashless é realmente gigante no Brasil, com 38,5% da população adulta ainda sem conta bancária, segundo pesquisa da Brink’s em parceria com a Fundação Dom Cabral.

A pandemia de Covid-19 foi um atalho forçado neste processo, quando milhares de brasileiros se viram obrigados a usar produtos digitais para honrar seus compromissos financeiros devido ao isolamento imposto pelo coronavírus.

Ser uma nação digital requer, segundo os especialistas, que todos os brasileiros estejam bancarizados e, no passo seguinte, incluídos no sistema financeiro, movimentando dinheiro e tendo acesso aos produtos do setor, diz Luciana Bassani, superintendente nacional da Caixa.

Bassani diz que das mais de 68 milhões de pessoas beneficiadas com o auxílio emergencial, ofertado pelo governo federal via Caixa TEM, 38 milhões não tinham sequer uma conta bancária.

“Foi um passo importante bancarizar essas pessoas, mas, nosso principal desafio hoje, é a inclusão financeira, ou seja, as pessoas precisam acessar serviços financeiros e utilizá-los e não apenas ter uma conta aberta”, afirma.

O Pix pode ser um caminho nesta direção. “O Pix, do ponto de vista de transação, é inovador. Mas todo arcabouço Pix é muito mais do que só a transação”, diz. Para Bassani, o maior sucesso da ferramenta não está apenas na sua instantaneidade ou no funcionamento 24 horas, mas “na jornada transacional focada na experiência do cliente”.

“O que se criou foi um arquétipo de simplicidade em transações digitais e isso tem um valor gigantesco”, explica.

Bassani conta ainda que o Pix transformou a perspectiva do banco sobre as transações. “Estamos revisando outros tipos de transações digitais no banco, como transferências TED e distribuição de empréstimos, utilizando a lógica do Pix, simplificando a experiência. Antes o banco fazia do melhor jeito para ele. Agora estamos tentando buscar o que o cliente quer e percebemos que a referência é o Pix”, explica.

Faz tempo que o dinheiro em espécie e o talão de cheque estão perdendo espaço nos pagamentos realizados pelos brasileiros que, a cada dia que passa, vêm absorvendo outras modalidades digitais, como o Pix, sistema criado pelo Banco Central.

Apesar da absorção da tecnologia na hora de realizar uma transação financeira, o Brasil ainda está longe de ser considerado um território digital, sob a ótica dos meios de pagamentos. Esta é a avaliação de Ricardo Teixeira Leite Mourão, membro do Deban (Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos), do Banco Central.

“O caminho é muito longo para se chegar numa sociedade cashless [sem dinheiro]. Ainda estamos tentando reduzir o dinheiro físico e há muita evolução no Pix e na área de pagamentos como um todo para acontecer”, afirmou Mourão durante a edição 2022 da Febraban Tech 2022, em São Paulo.

O desafio de uma sociedade cashless é realmente gigante no Brasil, com 38,5% da população adulta ainda sem conta bancária, segundo pesquisa da Brink’s em parceria com a Fundação Dom Cabral.

A pandemia de Covid-19 foi um atalho forçado neste processo, quando milhares de brasileiros se viram obrigados a usar produtos digitais para honrar seus compromissos financeiros devido ao isolamento imposto pelo coronavírus.

Ser uma nação digital requer, segundo os especialistas, que todos os brasileiros estejam bancarizados e, no passo seguinte, incluídos no sistema financeiro, movimentando dinheiro e tendo acesso aos produtos do setor, diz Luciana Bassani, superintendente nacional da Caixa.

Bassani diz que das mais de 68 milhões de pessoas beneficiadas com o auxílio emergencial, ofertado pelo governo federal via Caixa TEM, 38 milhões não tinham sequer uma conta bancária.

“Foi um passo importante bancarizar essas pessoas, mas, nosso principal desafio hoje, é a inclusão financeira, ou seja, as pessoas precisam acessar serviços financeiros e utilizá-los e não apenas ter uma conta aberta”, afirma.

O Pix pode ser um caminho nesta direção. “O Pix, do ponto de vista de transação, é inovador. Mas todo arcabouço Pix é muito mais do que só a transação”, diz. Para Bassani, o maior sucesso da ferramenta não está apenas na sua instantaneidade ou no funcionamento 24 horas, mas “na jornada transacional focada na experiência do cliente”.

“O que se criou foi um arquétipo de simplicidade em transações digitais e isso tem um valor gigantesco”, explica.

Bassani conta ainda que o Pix transformou a perspectiva do banco sobre as transações. “Estamos revisando outros tipos de transações digitais no banco, como transferências TED e distribuição de empréstimos, utilizando a lógica do Pix, simplificando a experiência. Antes o banco fazia do melhor jeito para ele. Agora estamos tentando buscar o que o cliente quer e percebemos que a referência é o Pix”, explica.

Pagamentos digitais
Entre as evoluções nos meios de pagamento, um dos destaques é o realizado por aproximação, que ganhou tração no contexto da pandemia. Roberta Becker, gerente de marketing da rede alimentar St. Marche, afirma que a modalidade vem se consolidando rapidamente.

“Os clientes não queriam contato e fomos forçados a entrar nessa era digital por aproximação. As pessoas usavam o cartão físico usando senha e agora usam o celular para aproximar e fazer o pagamento. Do nosso lado, é se adaptar e oferecer opções e percebemos que nosso público é adepto à soluções cashless“, diz.

“Sem dúvida o pagamento por aproximação é uma tendência, mas ainda temos um gap. Não oferecemos um cartão sem contato. Estamos olhando outras possibilidades de pagamento por aproximação, além dos plásticos, para garantir acesso dos nossos clientes”, sinaliza Bassani, da Caixa.

Becker diz que o St. Marche está participando de testes de pagamento com biometria facial em algumas de suas unidades. “É possível pagar com o sorriso, literalmente”, afirma.

A novidade é uma parceria com a empresa payface, que oferece essa solução para estabelecimentos comerciais. Na prática, o consumidor pode comprar um produto ao se identificar com o rosto, sem o uso de cartão, carteira ou dinheiro.

“O cliente precisa baixar um aplicativo, fazer um cadastro, e informar um meio de pagamento. Ao passar no caixa, o cliente informa que vai pagar com payface, olha na câmera e a compra é habilitada”, diz a gerente. “Conforme nossas pesquisas, o que as pessoas mais valorizam é não carregar nada. Uso o meu rosto e vou embora”, afirma Becker.

Luciana Bassani, da Caixa, afirma que, no seu escopo, esse meio de pagamento com reconhecimento facial poderia ser utilizado como uma segunda camada de aprovação de pagamento. “Temos espaços para muitas inovações. As transações vão acontecer sempre e é nosso desafio oferecer novas soluções para os clientes”.

Mourão diz que, do lado do BC, não há nenhuma solução nesta direção de reconhecimento facial em andamento. “Mesmo antes do Pix, a gente sempre discutiu novas soluções e tentamos nos manter antenados. Mas a turma do mercado é mais criativa que o BC”, comenta.

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